Recebeu o diagnóstico e não sabe qual caminho seguir? A maioria dos casos é conduzida com óculos ou lentes de contato especiais. Cirurgia é para situações específicas. Avaliação completa com a Dra. Tania Schaefer, PhD pela USP e Presidente Global do IMCLC (International Medical Contact Lens Council).
A Dra. Tania relata uma frustração comum no consultório: pacientes que chegam com ceratocone sem diagnóstico. A pessoa passa a não enxergar bem, troca de óculos várias vezes e acha que a mudança de grau é normal. No entanto, ignoram sinais cruciais como visão embaçada constante, dificuldade para enxergar à noite e falta de nitidez geral.
É uma doença em que a córnea (a lente transparente na frente do olho) afina e se curva aos poucos até ganhar o formato de um cone. A visão fica distorcida, o astigmatismo aumenta e, de repente, os óculos deixam de corrigir bem. Costuma aparecer na adolescência ou no início da vida adulta.
O ceratocone não leva à cegueira total, mas sem acompanhamento, pode comprometer drasticamente a qualidade de vida. Com o diagnóstico precoce (que a Dra. ressalta no vídeo), é possível conter a progressão e voltar a enxergar bem com lentes de contato especiais.
Não tem cura, mas tem controle. O tratamento tem dois focos: impedir que a doença avance (por exemplo, com a cirurgia de Crosslinking) e devolver a qualidade de visão (com óculos ou lentes). São caminhos distintos e que frequentemente se complementam.
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o ceratocone afeta cerca de 1 a cada 2.000 pessoas, sendo uma das principais causas de transplante de córnea no Brasil quando os primeiros sinais são ignorados.
O ceratocone costuma dar sinais antes do diagnóstico definitivo. Vale a pena investigar com um especialista quando:
O grau de astigmatismo
muda a cada consulta
Os óculos são novos e
a visão continua ruim
Um olho enxerga com
sombra ou imagem dupla
As luzes têm halos
e rastros à noite
Você coça muito os olhos,
tem rinite ou alergia
Alguém da família
tem ceratocone
A primeira consulta responde a três perguntas fundamentais: é ceratocone? Em que estágio está? Está progredindo?
Para a sua comodidade, consulta e exames acontecem no mesmo dia, no mesmo endereço.
Seu histórico, o que já tentou, alergias, casos na família e como a visão atrapalha sua rotina. Venha acompanhado, se quiser.
A topografia e a tomografia mapeiam a curvatura e a espessura da córnea ponto a ponto (inclui também paquimetria e microscopia especular).
Você vê os mapas da sua córnea na tela e entende o que eles mostram. Se trouxer exames anteriores, comparamos para saber se houve progressão.
As opções exatas para o seu caso, o que cada uma resolve e o que não resolve. Inclusive quando a melhor conduta médica é apenas acompanhar.
Importante: Traga exames antigos, óculos e lentes que você já usa. Como pode haver dilatação da pupila, recomendamos vir de carro por aplicativo ou acompanhado.
Os tratamentos do ceratocone se dividem em dois grandes grupos. Óculos, lentes de contato especiais e anel intraestromal atuam para melhorar a qualidade da visão. O crosslinking atua para impedir que a doença avance. Por isso é tão comum combinar tratamentos, e nenhum deles é isoladamente o "melhor para todo mundo".
| Tratamento | O que faz | Quando é indicado | O que não faz |
|---|---|---|---|
| Óculos | Corrigem o grau | Fases iniciais, enquanto a visão fica nítida com eles | Não acompanham uma córnea muito irregular |
| Lentes de contato especiais | Criam uma superfície regular sobre a córnea e devolvem nitidez | Quando os óculos não resolvem, em qualquer estágio do ceratocone | Não impedem a progressão da doença |
| Crosslinking | Fortalece as fibras da córnea com riboflavina (vitamina B2) e luz ultravioleta | Quando os exames comprovam progressão, sobretudo em jovens | Não devolve a visão perdida nem dispensa óculos ou lentes |
| Anel intraestromal (Ferrara) | Segmentos implantados na córnea que regularizam a curvatura | Córnea muito irregular, com visão ruim mesmo corrigida ou intolerância a lentes | Não cura nem interrompe o avanço da doença |
| Transplante de córnea | Substitui a córnea doente | Minoria dos casos, com cicatriz central ou quando as demais opções se esgotaram |
A maior parte das pessoas com ceratocone corrige a visão com óculos ou com lentes de contato especiais. Quando a irregularidade da córnea faz com que os óculos deixem de dar nitidez, as lentes assumem a função, sendo o principal recurso inclusive em casos avançados da doença. (Veja mais detalhes na seção de lentes, logo abaixo).
É o tratamento cirúrgico que atua diretamente na progressão do ceratocone. A indicação depende de progressão comprovada, analisada através da comparação de exames de topografia e tomografia ao longo do tempo. Em adolescentes a doença tende a avançar mais rápido, e a indicação costuma vir mais cedo. Trata-se de um procedimento ambulatorial, com anestesia em colírio.
O anel de Ferrara é implantado dentro das camadas da córnea para reduzir a sua irregularidade e melhorar a visão do paciente. É indicado quando a visão continua ruim mesmo com a correção de óculos, ou quando a pessoa não tolera mais a adaptação de lentes. O grande benefício é que, após a colocação do anel, muitos pacientes muitos pacientes voltam a se adaptar bem a lentes.
Fica reservado aos casos severos, com cicatriz profunda na córnea ou quando absolutamente todas as demais opções terapêuticas se esgotaram. Com o diagnóstico precoce e inovações como o crosslinking e as lentes esclerais, cada vez menos pessoas chegam a essa etapa.
A lente especial não corrige só o grau. Ela cria uma superfície lisa sobre a córnea irregular, e é exatamente isso que devolve a nitidez que os óculos comuns não alcançam. A adaptação é um ato médico, feito sob medida para a topografia de cada córnea.
Menores, rígidas gás-permeáveis, repousam diretamente sobre a córnea. São amplamente indicadas para irregularidades leves e moderadas.
De diâmetro intermediário, oferecem uma adaptação com mais estabilidade e conforto que as lentes puramente corneanas.
Maiores, apoiam-se na esclera (a parte branca do olho) e passam por cima da córnea como uma "cúpula", sem tocá-la. O espaço entre a lente e a córnea fica preenchido por solução salina, mantendo o olho hidratado. Costumam ser bem toleradas e são opção mesmo em córneas muito irregulares, pós-anel ou pós-transplante.
Uma lente especial para ceratocone dura em média de 1 ano e meio a 2 anos, dependendo dos cuidados e da estabilidade da doença.
O desconforto quase sempre está ligado ao desenho da lente e à falha na adaptação, e não ao seu olho. Com o acesso a um novo desenho de lente (como as esclerais) ou a um ajuste médico fino, muitos pacientes voltam a usar. Vale a pena reavaliar.
A Dra. Tania Schaefer é referência máxima no assunto. Preside o IMCLC (International Medical Contact Lens Council) e presidiu a SOBLEC (Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria) no biênio 2020/2021.
Saiu de uma consulta com indicação de cirurgia e ficou em dúvida? Pedir uma segunda opinião é um direito do paciente e uma prática comum e altamente recomendada na medicina oftalmológica.
Na avaliação, a Dra. Tania revisa todos os seus exames, repete o que for necessário e responde a três perguntas centrais para a sua tranquilidade:
Às vezes, a conclusão é exatamente a mesma da primeira consulta. O que importa é você decidir com segurança, entendendo o porquê de cada conduta.
Importante: Traga todos os exames que tiver, inclusive os mais antigos. São eles que mostram a linha do tempo e se a doença de fato avançou.
"Ceratocone pede calma, bons exames e acompanhamento de perto. Pressa raramente ajuda."
Dra. Tania Schaefer
O ceratocone costuma aparecer entre os 10 e os 20 e poucos anos, e é justamente nessa fase de desenvolvimento que ele tende a avançar mais rápido.
Por isso, no paciente adolescente, o acompanhamento deve ser muito mais rigoroso e frequente. A decisão sobre intervenções cirúrgicas (como o crosslinking para frear a doença) costuma vir mais cedo do que em adultos.
Quem tem histórico de ceratocone na família, ou pais com quadros de alergia importante, tem um forte motivo para avaliar os filhos mais cedo.
Um simples exame de topografia identifica alterações mínimas antes de surgir qualquer sintoma.
O grau do seu filho aumenta todo ano? Conheça nossos protocolos de controle da miopia →
Dedico minha carreira à oftalmologia clínica e cirúrgica, com atenção especial à córnea, ao ceratocone, ao olho seco e às lentes de contato especiais.
Minha trajetória acompanha a evolução da medicina e das novas tecnologias, sempre preservando aquilo que considero indispensável: escuta, atenção e um cuidado pensado de forma individual para cada paciente.
Minha formação começou na Universidade Federal de Juiz de Fora e seguiu por importantes instituições do país, com residência em Oftalmologia no Serviço do Professor Paiva Gonçalves e fellowship na Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro. Mais tarde, concluí MBA em Gestão em Oftalmologia pela UNIFESP e PhD em Medicina pela Universidade de São Paulo USP.
Minha trajetória na oftalmologia também se estende à atuação institucional, com participação ativa em entidades e iniciativas importantes para a especialidade, no Brasil e internacionalmente.
Fui Presidente da SOBLEC (Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria) no biênio 2020/2021 e integro o corpo clínico do Hospital CDOP, onde realizo cirurgias.
Também exerço liderança em entidades voltadas ao estudo da refração e controle da miopia, sendo atual Presidente da ABRACMO (Academia Brasileira de Controle da Miopia e Ortoceratologia) e Presidente Global do IMCLC (International Medical Contact Lens Council).
Consulta e exames no mesmo dia e endereço. Fica no térreo, na Av. Pres. Getúlio Vargas, Água Verde, com fácil acesso, estacionamento próximo e total acessibilidade para sua comodidade.
Atendo particular e pelos convênios abaixo.
* Alguns procedimentos, como a adaptação de lentes especiais, podem não ter cobertura. Informamos antes da consulta.
Não tem cura, mas tem controle. O crosslinking pode interromper a progressão, e óculos, lentes especiais ou anel devolvem qualidade de visão. Com acompanhamento, a maioria das pessoas leva uma vida normal.
Não causa cegueira total. Sem acompanhamento, pode reduzir muito a visão. Mesmo em casos avançados, costuma ser possível enxergar bem com lentes esclerais ou, em último caso, com transplante de córnea.
Não. A maior parte dos casos é conduzida com óculos ou lentes de contato. O crosslinking é indicado quando os exames mostram progressão, e o anel quando a visão continua ruim mesmo com correção.
Comparando exames de topografia e tomografia feitos em momentos diferentes. Por isso vale guardar todos os exames. O intervalo entre eles depende da idade e do estágio, e é mais curto em adolescentes.
O procedimento é feito com anestesia em colírio e não dói. Nos primeiros dias é comum sentir desconforto, sensibilidade à luz e visão embaçada, que melhoram conforme a superfície da córnea cicatriza. [Confirmar tempo médio de afastamento com a Dra.]
Como ela não toca a córnea, a maioria das pessoas acha mais confortável do que as lentes rígidas menores. Existe um aprendizado para colocar e retirar, que é treinado no consultório.
Em média de um ano e meio a dois anos, com os cuidados de higiene corretos.
Em geral, não. O laser afina a córnea, que no ceratocone já é frágil. Por isso a topografia é exame obrigatório antes de qualquer cirurgia refrativa. Existem alternativas, avaliadas caso a caso.
Coçar os olhos com frequência e força está associado ao surgimento e à piora da doença. Controlar rinite e alergia ocular faz parte do tratamento.
Existe um componente familiar: quem tem parente de primeiro grau com ceratocone tem risco maior. Isso não significa que os filhos terão a doença, mas justifica avaliá-los.
Sim, são 29 convênios, além do atendimento particular. Veja a lista na seção de convênios ou confirme seu plano pelo WhatsApp.